Abramos el cesto del sagrado saber
Que hablen nuestros ancestros
Dejemos sonar los cantos y rezos ancestrales
Que nos guíen por los caminos de La paz
E La compresíon entre los hombres

22 dezembro 2010

Sobre os Yawanawás

Pajé Yawa Kuni

Imagens da Aldeia Yawanawá:
http://www.flickr.com/photos/54657646@N06/show/


O Povo Yawanawá é tradicionalmente um povo mais caçador que pescador e em suas terras sempre há fartura de proteína animal. Dentro de uma tradição de total respeito 
pela natureza, seus caçadores fazem caçadas coletivas ou individuais e suas caças preferidas são a anta, o veado, o porquinho (catitu) e o queixada. E também algumas 
aves, muito apreciadas pelas mulheres índias, como as nambus, cojubins e outras. O milho é muito apreciado. A macaxeira reina soberana, cozida, assada, em forma 
de farinha, como caiçuma está presente no dia a dia.
Se por um lado, o cacique Bira foi escolhido para dirigir o povo Yawanawá, devido à sua bagagem espiritual e está também preparado para agir no ‘mundo do branco’,
 o povo Yawanawá é o povo que todo chefe pediria a Deus. Os índios não discutem asperamente, conversam sempre amigavelmente, não perdem o tempo com besteiras nem
 com conversas inúteis. As crianças são extremamente educadas, não vivem com molecagens, estampam felicidade nos olhos em suas brincadeiras, não mexem nas coisas
 de ninguém. Na aldeia sagrada não entra televisão. Bebida alcoólica – nem pensar – é expressamente proibida, isto tudo já a partir da aldeia Nova Esperança.
Para o povo Yawanawa, os sonhos são tão importantes como a vida ‘acordada’ ou mais. É o momento de conversar com Deus.

A nove anos é realizado o Festival Yawanawa - uma semana de cantos danças, pajelanças, integração, sorrisos e felicidade. O festival reuni todas as etnias do povo pano num grande encontro cultural na aldeia Nova Esperança, e sempre tem lideranças espirituais do mundo a fora inclusive de outras linhas como o Budismo. Em 2010 o convidado foi o líder Lakota Vernon Foster que pôde mostrar a sua cultura através de palestras, Cerimônia de Temazcal e de danças no terreiro para o espírito do Sol. Vernon em alguns momentos também tomou o Uni (Ayauaska) e trabalhou espiritualmente na força do cipó. Para o décimo festival que será em Outubro de 2011 Biraci quer trazer um líder de cada etnia das américas. O Festival Yawanawa é um tempo de brincadeiras e descanso onde todos param os trabalhos por uma semana para celebrar a sua cultura.

Mensagem do Biraci Nishiuaka Pajé e Cacique dos Yawanawas 

“A floresta preserva a nossa vida e garante nossa sobrevivência. Precisamos ter muito cuidado com ela. É difícil de cuidar de um território devido à pressão
 nacional e internacional.
Desenvolvimento para o homem significa sacrificar a floresta. Vamos resistir enquanto tivermos força. Vocês (brancos) são convidados a participar do movimento de preservação
 da natureza, somos os jardineiros deste jardim natural”.

Uni - histórico
No dia 22 de fevereiro de 2009, um domingo, o cacique pajé Bira fez o primeiro trabalho com Uni na aldeia sagrada (terra onde se originou o povo Yawanawa), depois de ter sido interrompido por 27 anos. Ele convidou 
27 pessoas, a maior parte de extrativistas e agricultores da região de Rodrigues Alves e do Rio Croa, todos daimistas, quatro estrangeiros, estudantes de várias
 linhas da bebida Ayahuasca. Foi um trabalho muito especial de muita abertura espiritual e de muita importância dentro do alinhamento espiritual Yawanawa que se segue até hoje.
Foi feito um grande feitio também com os convidados. Para o cacique Biraci é este tipo de convívio que ele quer daqui para frente. Amigos que o ajudem a reconstruir a aldeia sagrada, junto com seu povo. Bira ficou
 especialmente satisfeito, pois é seu desejo que cada vez mais os Yawanawá se voltem para a tradição do Uni e durante os dias de feitio, até alguns índios que nunca 
tinham bebido Uni, tomaram e gostaram. No momento não resta dúvidas na aldeia de que o povo branco é irmão, quase como se fosse outro povo indígena e, aliás, 
o sangue índio corre nas veias da maioria deles. Segundo Bira não interessa receber na aldeia sagrada pessoas com preocupações financeiras ou políticas, isto fica para a
 Nova Esperança. “Na aldeia sagrada só queremos quem nos alimente o espírito. Aqui é nossa aldeia mãe. Olha a floresta. Debaixo dela habita um povo. Aqui andamos 
e vivemos como o criador nos criou. Tudo começou aqui” – disse.

A linha Yawanawá

Antonio Luiz tinha em sua língua original oito nomes. É costume Yawanawá chamar as pessoas por vários nomes, como forma de homenagear os mais diversos parentes seja
 a mãe, o pai, os tios, as tias, etc. Segundo alguns cálculos, ele viveu 116 anos e dirigiu o povo por 107 anos. Como chefe espiritual recebia cinco guias. Biraci
 está trabalhando para receber os mesmos guias, um pedido especial que fez ao mestre espiritual e já vem sendo orientado por eles. O pajé mais velho da aldeia é o 
Yawarani, chamado simplesmente por Yawá. É pajé desde os 50 anos e hoje tem cerca de 90. Ele canta – e muito bem também, mas suas especialidades são a reza e os
trabalhos com as plantas medicinais. É uma relíquia viva e suas rezas na língua nativa, acompanhados de sopros, são requisitadas por todos. Também recebe duas entidades.
 Outro pajé cantador, Tatá, mora numa aldeia do baixo rio. Hoje a Aldeia Sagrada tem um guardião físico e espiritual é o Pajé Yawa Kuni Filho do patriarca e maior da tradição senhor Antonio Luiz. Kuni também é o responsável espiritual pelos trabalhos no terreiro da Aldeia Nova Esperança. Kuni é a mais pura expressão da humildade e do amor, e também é um grande curandeiro.

Muitos dos cânticos tinham se perdido e o cacique Bira é o canal donde eles vêm sendo resgatados. No ano 2000 recebeu o cântico ‘Kanarô txereeteintê’, durante trabalho 
com Uni, ocasião em que o próprio Yawa chorou de emoção. É um hino à criação, fala da arara amarela (Canindé), o pássaro que voa mais alto da espécie, sai de casa 
e voa para comer em outros rios, levando a mensagem de sua existência e volta para dormir em casa. Para Biraci o hino é também o símbolo da nova era em que o povo
 está entrando e simboliza as boas vindas a todas as manifestações de Deus no planeta Terra. Um grande presente no mariri do Uni para um convidado é escutar o hino 
do Kanarô e ver inserido nele seu nome, como um chamado de boas vindas. O trabalho do Uni conduz às luzes, às mandalas coloridas e tantas belezas.

FONTE: Bia Labate