Abramos el cesto del sagrado saber
Que hablen nuestros ancestros
Dejemos sonar los cantos y rezos ancestrales
Que nos guíen por los caminos de La paz
E La compresíon entre los hombres

01 março 2011

Cerimônias do rapé e do Uni

O Uni é a bebida sagrada dos Yawanawás. ‘Ela leva ao outro mundo’, explicou um índio. É a mesma bebida conhecida por Ayahuasca, Daime, Vegetal, feitos com o cipó Jagube e a folha Rainha. No entanto os Yawanawá têm uma maneira própria de preparar a bebida, de maneira bem simples. A bebida é pouco apurada, mas eficaz nas sessões. No momento em que o pajé distribui a bebida ele sempre faz uma reza, para garantir a segurança da ligação. Os Yawanawás cultivam um tipo específico de folha Rainha, a Kawá, que significa ‘dona de todas as cores’. A linha Yawanawá se sustenta com a proteção dos espíritos da floresta e veneração dos ancestrais, dentre eles, o principal, é o velho Antônio Luiz, cacique falecido na década de 1970, que era médium e trabalhava com cinco entidades, segundo informação de Biraci. Hoje, a maior parte dos trabalhos com Uni são dirigidos pelo cacique Biraci, por Putany e por Yawa. As melodias do Uni são maravilhosas e tem o poder de conduzir a um mundo de luzes e à compreensão espiritual da consciência indígena.

O rapé é uma unanimidade entre os Yawanawás. Parece que todos gostam. Ele é feito unicamente de tabaco e cinzas de outras árvores,dentre elas o Pau Pereira. Soprado para dentro das narinas através de um instrumento tipo um bambu oco, o Tipi, e aplicado por um pajé provoca uma forte reação nos mais inexperientes. Também pode ser aplicado pela própria pessoa com outro instrumento denominado Kuripe.

O índio Kapakuru, que significa quatipuru roxo é um dos principais feitores e aplicadores do rapé. Conhecido na aldeia e fora dela como Manoel, ele explica que o rapé é uma tradição cultural e espiritual do povo Yawanawá. Ele é usado como consagração depois do trabalho, para desabafar, relaxar, esfriar a memória. Ele pode ser usado a qualquer hora e tira o enfado físico mental e espiritual, quando nasce um novo pensamento, uma idéia nova. O ideal é usar o rapé na hora da cerimônia do Uni, as duas energias se unem e o Uni vem com mais luz, mais perfeito, mais profundo. São duas energias que se unem. Há quatro anos ele não fazia rapé. Começou a observar e experimentou fazer. Antes, ele explica que o feitor do rapé passa sua energia para a medicina do rapé. Assim que fez rapé pela primeira vez, Manoel o apresentou ao cacique Biraci. “Seu rapé é nota 10 e você tem a missão de se tornar pajé do rapé” teria dito Biraci. A partir de então Manoel foi aperfeiçoando seu rapé e ficou sendo o feitor oficial do cacique. “Tenho essa missão de fazer rapé” – concluiu.

FONTE: Bia Labate