Abramos el cesto del sagrado saber
Que hablen nuestros ancestros
Dejemos sonar los cantos y rezos ancestrales
Que nos guíen por los caminos de La paz
E La compresíon entre los hombres

27 setembro 2011

Cabala – Noções Gerais

Por Paulo Stekel

A palavra CABALA, originalmente QABALLAH, provém do verbo hebraico QIBBEL ("aceitar, receber, tomar algo") e, neste sentido, significa TRADIÇÃO. Era, no início, uma tradição espiritual dos hebreus que vinha desde Moisés, sendo oral, passada de pai para filho (e de mestre para discípulo) ao longo dos séculos.

Em princípio, a Cabala (esta é a forma da palavra em português) versa sobre os cálculos místicos com os nomes e as letras (Cabala Simbólica), as Hierarquias de Anjos e Demônios e a transmigração das almas (Cabala Dogmática), as Sefirot, a Árvore da Vida e a Divindade (Cabala Metafísica). O ensinamento tradicional da Cabala é ao mesmo tempo HISTÓRICO, MORAL e MÍSTICO.
Na realidade, existem "duas" Cabalas:

1ª - A chamada CABALA JUDAICA, que é a mais conhecida hoje em dia. Trata-se das interpretações dos rabinos judeus acerca da TORAH ("A Lei"), contida no Pentateuco de Moisés [os cinco primeiros livros do Antigo Testamento], com ênfase especial no GÊNESE ou SÉFER BERESHÍTH ("Livro do Princípio"), que constitui a mais antiga obra cabalística que se conhece. Nesta Cabala, há um misto de moral e religião, com tendência judaizante, o que normalmente afasta os estudantes que não são adeptos do Judaísmo. Esta Cabala é feita de especulações dos descendentes de Moisés.

2ª - A chamada CABALA MOSAICA, a verdadeira Cabala ensinada por Moisés há cerca de 3400 anos. Para desenvolvê-la, serviu-se dos antiqüíssimos arquivos sacerdotais dos Iniciados do Egito, datados talvez da época do continente perdido da ATLÂNTIDA (por isso chamados "arquivos atlantes"), e que continham, em forma velada, toda a religião e ciência daquela avançada civilização do passado.

Acerca da CABALA ATLANTE, nada se pode dizer, uma vez que desapareceram os tais arquivos que lhe serviram de base juntamente com o povo que durante milhares de anos os guardou. Dela só podemos ter uma idéia analisando a CABALA MOSAICA que, sem dúvida, teve como fonte os arquivos originais. Baseado nestes arquivos, Moisés escreveu a sua COSMOGONIA (origem do mundo) e a história do passado da humanidade em sua ANTROPOGONIA (Adão é a representação da primitiva Atlântida). Em algumas partes chegou mesmo a transmitir conhecimentos tecnológicos da antiga civilização atlante.

As fontes da Cabala são, em primeiro lugar, o GÊNESE ou SEFER BERESHITH e depois, o ÊXODO, seguindo-se a estes [e contendo cada vez menos da verdadeira tradição de Moisés], o LEVÍTICO, o NÚMEROS e o DEUTERONÔMIO. Estes cinco livros formam o PENTATEUCO cristão ou o SEFER MOSHEH judeu ("Livro de Moisés").

Como os livros cabalísticos de Moisés eram de difícil compreensão para o vulgo, os rabinos escreveram diversos comentários ou interpretações, que vieram a se constituir no TALMUD (escrito entre 300 a.C. e 500 d.C.). Ele é a base do que chamamos Cabala Judaica, mas não é o que mais interessa ao cabalista (em hebraico, MEQUBAL) e sim, duas outras obras de cunho mais místico que o Talmud, surgidas na Idade Média. São elas:

a) SEFER YETSIRAH ("Livro da Formação" ou "Criação"): Parece ser a primeira obra filosófica escrita em hebraico. Sua data correta e seu verdadeiro autor ainda não foram determinados. Mesmo assim, parece que o livro já era conhecido no século II d.C., apesar de alguns rabinos acharem que sua composição tenha se dado entre os séculos VIII e XI d.C. A autoria de tal obra, atribuída ao patriarca Abraão, é fantasiosa. Alguns o atribuem ao rabino AKIBA (séc. II d.C.). A obra descreve cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico e as suas relações simbólicas com o ser humano, com o céu astronômico, dias da semana, meses do ano, etc.

b) SEFER HA-ZOHAR ("Livro do Esplendor") ou simplesmente ZOHAR: Não é, de maneira alguma, uma obra unificada, totalmente coesa e sem contradições [como, aliás, toda a Bíblia!]. Na verdade, apresenta por vezes contraditórias forças do movimento cabalístico. Segundo muitos, teria sido escrita ou, o mais provável, apenas compilada, por volta de 1286 pelo cabalista espanhol MOSES DE LEÓN (falecido em 1305), o que não pode ser de todo descartado. Trata de assuntos relativos ao Gênese mosaico, à morte, ao espírito, às Sefirot, ao Sábado, ao destino da Alma, à Árvore da Vida e ao significado oculto da Torah (a Lei).
OBS.: Sem conhecer estas obras em SEU IDIOMA ORIGINAL, o hebraico [e um pouco de aramaico], ninguém pode pretender ser um legítimo CABALISTA, pois a língua hebraica apresenta sutilezas de significado que não é possível captar através das traduções disponíveis para línguas modernas.

Fraternalmente,

Stekel